Janeiro de 2019 – Os recentes problemas envolvendo obras de infraestrutura, culminando na tragédia de Brumadinho, faz lembrar quão importante é a engenharia. Seja para o bem ou para o mal, o seu impacto para a sociedade é enorme.

O Instituto de Engenharia de São Paulo publicou um manifesto com pontos muito interessantes, terminando as afirmações com a declaração de que não há falha de engenharia, mas sim falta dela.

A polêmica prisão dos engenheiros, antes da apuração das responsabilidades e análise das provas, sob o argumento de possível destruição de provas, leva a pensar em uma eventual falha, ou falta, de um sistema de informação. Os documentos, dados e evidências que embasaram o laudo, assim com todas as informações sobre a operação e a leitura dos sensores, desde a inspeção que produziu o laudo até o rompimento, deveriam estar documentadas em um sistema com rastreabilidade e sem possibilidade de serem maculadas.

Sendo assim, qual o risco que as provas estariam correndo? Falta tecnologia neste universo. O blockchain, que foi criado para garantir a segurança das informações registradas, resolveria todo o problema que emana a apuração deste caso no que tange aos dados relacionados aos laudos em questão. Para os leigos entenderem, fazendo uma analogia, é como se estivéssemos “escrevendo em pedra”. Não depende de nenhum ente central, todos os stakeholders tem uma cópia dos registros.

A tecnologia nasceu com a base das criptomoedas, mas já há aplicações para armazenar dados de engenharia. Alguns importantes projetos privados de barragens já fazem uso para sua gestão própria. Então, por que o governo não cria uma regra exigindo uma carteira de blockchain para projetos de infraestrutura? Projeto, inspeções e, principalmente, a operação. Tudo “registrado em pedra”, com responsáveis e sem a possibilidade de se apagar ou macular.

Se o argumento era de que não havia uma tecnologia com este porte e que fosse barato, simples e eficaz, agora já é possível. Alguns olham para este modelo de tecnologia apenas para as questões financeiras e de suprimentos, mas usá-la para segurança e contratos de infraestrutura é uma aplicação perfeita para o Brasil. A engenharia pede transformação digital. Isso é quebra de paradigma, isso é inovação.

*Marcus Granadeiro, engenheiro civil formado pela Escola Politécnica da USP, presidente do Construtivo, membro da Autodesk Development Network e do Royal Institution of Chartered Surveyours

Source: Estadão

2 thoughts on “Vale and Brumadinho prison systems and use of blockchain

  1. Prezado Marcus,

    De fato, estamos carentes de uma política pública responsável direcionada para a execução formal, correta e assertiva dos processos produtivos. Necessitamos evoluir. Melhor dizendo: necessitamos assimilar e internalizar a evolução que já está materializada em tecnologias maduras para aplicação imediata. Os smart contracts, o mapeamento digital de processos de trabalho, o disparo automático de eventos definindo pontos de verificação com garantia de não repúdio. Tantas tecnologias fundadas na utilização do blockchain e que podem proteger vidas, reduzir custos e definir de modo inequívoco e plenamente auditável toda a cadeia de responsabilidade dos agentes públicos e privados. Relacionando a uma outra postagem sua, o problema não é a falta de recursos, uma vez que estas tragédias custam mais que o fazer correto. O problema tem que ser enfrentado com a mudança de mentalidade, de visão. Nelson Rodrigues tinha razão: “subdesenvolvimento não se improvisa. É obra de séculos.”

    1. Caro Marcelo,

      Seu comentário é perfeito, assim como a citação do Nelson Rodrigues. A nossa visão é tentar mudar o quadro com muita “evangelização”, artigos, palestras e agora redes sociais. Uma esperança que tenho é que com mais tecnologia consigamos pegar um atalho na longa trilha da evolução, mas é uma luta complicada.
      Abs
      Marcus Grenadier

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