Business Information Modeling integra dados das diversas etapas de uma obra de forma organizada, rompendo feudos de informações

Responsável por cerca de 7% do PIB, a Construção Civil é um termômetro importante na saúde da economia. Com a pandemia do novo Coronavírus, que levou ao isolamento social e ao agravamento da crise econômica no País, o setor se manteve ativo por ser considerado atividade essencial, ajudando a segurar o desempenho do PIB para que a forte queda não fosse ainda maior em 2020. Pequenas obras, feitas em casa, também aqueceram o mercado durante a pandemia. A expectativa é de retomada dos lançamentos imobiliários em 2021.

A pesquisa Transformação Digital: O Futuro da Construção Conectada, da consultoria IDC, indica que o setor de Construção Civil está pronto para o salto da inovação. O Brasil acompanha os padrões internacionais de construção e lidera quando o assunto é investimento em softwares baseados em Building In-formation Modeling, BIM, ferramenta de Gestão que reúne informações detalhadas das várias fases de uma edificação de forma organizada, automatizando a etapa de projeto e gerando menos resíduos.

“As ferramentas com metodologia BIM aproveitam toda a informação gerada nas diferentes etapas, quebrando feudos entre áreas antes estanques”, afirma Marcus Granadeiro, presidente da Construtivo que oferece essa solução por meio do modelo de Software como Serviço – SaaS. A empresa mantém um programa de revendas e integradores, os quais atuam em conjunto com a equipe interna na gestão do cliente.

Uma das soluções oferecidas pela Construtivo é a Ubik, da austríaca Augmensys, que permite a um engenheiro fazer inspeção num canteiro de obra utilizando óculos de Realidade Aumentada, tablet ou celular. Basta direcionar o dispositivo para a área ou equipamento e obter informações referentes ao projeto contidas no Colaborativo, plataforma de gestão de processos e documentos na Nuvem, da Construtivo. A solução fornece digitalmente informações de documentos técnicos e desenhos e pode ser integrada a softwares de gestão, como o SAP. Além de fornecer informações que foram geradas durante o projeto, a solução permite que o usuário agregue dados ao sistema por meio de comando de voz. A implementação do Ubik está a cargo da Voith Digital Ventures, parceira da Construtivo para essa solução.

Depois do projeto chega a hora de apresentar a obra ao cliente. Tours vir-tuais são opções atraentes para conhecer o imóvel sem ter que se deslocar até o endereço. “Os sites sempre usaram tecnologia para apresentar imóveis, mas em 2020 esse recurso foi aprimorado com visitas virtuais 360° e um maior diálogo com os clientes por meio de atendimentos personalizados e instantâneos”, afirma Leonard Bartz, CEO da FullFreela, marketplace para artistas de design e arquitetura. Com ferramentas como o chatbot, é possível garantir que o possível comprador se mantenha interessado em consultar o site para escolher seu imóvel novo. “Mesmo que ele demore mais para se decidir, é importante criar um relacionamento online com o consumidor, momento importante para reinventarmos nossos negócios sem perder o contato humano, ainda que virtual”, diz Bartz.

A Apto, plataforma que conecta potenciais compradores de imóveis a construtoras e empreendimentos, oferece o tour 3D pelos apartamentos decorados e permite realizar agendamentos em tempo real para visitar o imóvel. Contratada pelas construtoras, a Apto faz uma sessão de fotos 360° do empreendimento e adiciona o conteúdo no site, incluindo a explicação da planta e o que é possível fazer no espaço, inserindo móveis virtualmente.

Além de visitar um imóvel de forma remota é possível fazer a vistoria virtual de uma obra com a plataforma Banib Conecta. Voltado para construtoras, o sistema permite gerenciar e acompanhar a obra pelo celular ou desktop, explica Renato Rodrigues, CEO da Banib. A plataforma gera um link que pode ser aberto de qualquer dispositivo, facilitando o monitoramento a distância.

Entre os clientes da Banib estão a Passarelli, Método, Concremat, Cushman&Wakefield e o Bureau Veritas. A empresa conta com uma área exclusiva de atendimento às construtoras, gerenciadoras e incorporadoras e tem planos de contratar uma rede de profissionais de fotografia para impulsionar projetos de construtoras com obras pequenas e pontuais, completa Rodrigues.

Softwares de Engenharia

No mercado de desenho de Engenharia, Arquitetura e Construção, vários softwares substituíram a velha prancheta de desenho. O Auto-cad criado pela Autodesk há quase quatro décadas, é a ferramenta mais longeva usada pelo setor até os dias de hoje. O programa evoluiu ao longo dos anos, acompanhando tendências como o trabalho com dados em Nuvens. Está disponível nos sistemas operacionais MacOS e Windows e presente nos smartphones.

“A partir do Autocad surgiram outras ferramentas dedicadas como o Revit, usado em projetos de grandes estruturas como a construção de pontes”, explica Pedro Soethe, especialista técnico da área de Arquitetura, Engenharia e Construção da Autodesk. O Revit usa a tecnologia BIM, integrando softwares, hardwares e profissionais envolvidos no projeto, fazendo a modelagem da obra em 3D.

O sistema automatiza projetos além de contar com um Banco de Dados compartilhado pelas equipes envolvidas em determinada obra ou etapa, otimizando tempo e recursos.

“O BIM foi uma grande inovação no setor, gerando produtividade, qualidade dos projetos, e economia, fundamental no gerenciamento de obras públicas, dando mais transparência ao processo”, destaca Soethe. Como a metodologia BIM integra vários módulos, os orçamentos ficam mais precisos, evitando gastos desnecessários com materiais e provisionamentos superfaturados. “Novas licitações de construções públicas pedem que os projetos sejam feitos em software BIM para racionalizar orçamentos e difi-cultar desvios de dinheiro”, aponta a arquiteta autônoma, Alice Mahlmeister.

Além do Revit, outras ferramentas focadas em projetos prediais e obras de infraestrutura como rodovias surgiram a partir do Autocad e hoje compõem a família de soluções da Autodesk, como o Civil 3D, software para documentação e projetos apoiado no BIM que permite, por exemplo, construir uma rodovia virtual com as mesmas características da edificação real.

Com 37 revendas e dois distribuidores em todo o País, a Autodesk capacita seu canal na plataforma de treinamentos Brasil-Sales Academy além de promover eventos, workshops e programas, buscando especializar parceiros em sistemas de Engenharia e Arquitetura.

Com o mesmo foco na metodologia BIM, a Graphisoft oferece o Archicad, software com 37 anos de mercado cujo principal apelo é ser uma plataforma amigável e intuitiva. A ferramenta, voltada a profissionais de arquitetura, engenharia e construção, auxilia desde a fase conceitual do projeto até a construção, organizando e classificando as informações utilizadas na fase do gerenciamento das instalações. Roda nos sistemas operacionais MacOS e Windows e uma nova versão é lançada a cada ano, ressalta Gustavo Carezzato, diretor-geral da Graphisoft para a América Latina.

A empresa conta com uma área de Customer Success que acompanha os usuários e suas necessidades relacionadas ao uso da ferramenta e na melhoria dos processos internos e externos com os parceiros. A empresa oferece várias opções de licenciamento do Archicad para diferentes perfis de clientes, dos profissionais liberais a escritórios de qualquer tamanho. “Temos investido na democratização do BIM para que todos os profissionais tenham acesso a essa metodologia”, afirma Carezzato.

A Graphisoft conta com uma rede de parceiros composta por representantes de vendas, distribuidores e revendedores, e oferece ferramentas para o desenvolvimento desses negócios por meio de treinamentos regulares, materiais de marketing e de vendas.

Com o lançamento do Archi-cad 24, em julho de 2020 durante o evento Building Together 2020, a companhia passou a atender ‘enge-nheiros estruturais’. “Desenvolvemos um ecossistema que se baseia no conceito de Design Integrado, um fluxo de trabalho na metodologia BIM, integrando arquitetos e engenheiros em um ambiente BIMCloud, solução de compartilhamento de projetos na Nuvem com equipes trabalhando juntas, simultaneamente, independentemente de suas localizações, facilitando todo o processo”, ressalta Carezzato.

A Construção é o segundo setor com mais oportunidades de digitali-zação de processos depois da Indústria, e vive grandes desafios, como a enorme variedade de realidades de canteiro de obras, alguns altamente organizados e outros que mal conseguem atender às normas de segurança do trabalho. “Nesse contexto, é de se esperar que a adesão à Transformação Digital também não seja uniforme”, observa Fabrício Schveitzer, diretor de Operações da Sienge.

Um estudo em conjunto com a consultoria Grant Thornton realizado em 2020 mostrou que 70% das empresas de construção pretendem aderir à metodologia BIM em até dois anos. A empresa oferece a Sienge Plataforma, sistema de gestão especializado na Indústria da Construção com mais de 3,5 mil clientes. A plataforma centraliza e ?organiza os dados gerados e consumidos por outros softwares, seja no escritório, no canteiro de obras ou de outros fornecedores, como projetistas. O recém-lançado Sienge BIM funciona como um plugin do Revit, da Autodesk, permitindo que projetistas, incorporadoras e construtoras acompanhem em tempo real os impactos no orçamento ocasionados por cada decisão de projeto. “O sistema atualiza o orçamento e o descritivo de materiais existentes no Sienge e cada vez que uma alteração é feita no Revit economiza-se até 40% no tempo despendido por arquitetos, projetistas e orçamentistas de in-corporadoras e construtoras”, explica Schveitzer.

Outra solução é a Sienge Go! voltada para micro e pequenas empresas de Construção que orienta o fluxo de caixa e histórico de compras. A empresa conta com uma estratégia de distribuição baseada em canais com 22 revendas especializadas em sistemas de gestão, e 35 pontos de atendimento ao cliente.

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